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Questione | Eu não quero voltar sozinho

Eu nao quero voltar sozinho censurado

Eu não quero volta sozinho (2010), é um curta metragem brasileiro, escrito e dirigido pelo cineasta Daniel Ribeiro, com a participação de Ghilherme Lobo, Tess Amorim, Fabio Audi. Desde sua estreia, no 3º Festival Paulínia de Cinema, Eu Não Quero Voltar Sozinho foi exibido em 21 festivais onde recebeu 27 prêmios. O filme conta sobre a vida de Leonardo, um adolescente cego,  que tem sua rotina alterada completamente com a chegada de um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo, Leonardo tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana e entender os sentimentos despertados pelo novo amigo Gabriel. Além do curta ser exibido em festivais e mostras pelo Brasil todo, o filme faz parte do programa Cine Educação,que tem como objetivo a formação do cidadão a partir da utilização do cinema, até sua exibição ter sido censurada no Acre. Assista a seguir e tire suas próprias conclusões.

O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, e tem como objetivo "a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar" e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula.
Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes religiosos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que se sabe, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual.

Eu não quero voltar sozinho foto
De forma arbitrária, em uma república federativa cuja Constituição atesta um Estado laico, a sociedade está sendo privada de promover debates. Como pretendemos que adolescentes consigam respeitar a diversidade e formem-se cidadãos lúcidos, pensantes e ativos se informação, arte e cultura (sem qualquer caráter doutrinário) lhes são negadas? Ademais, se assuntos referentes à orientação sexual dos indivíduos e seus respectivos direitos civis estão na pauta do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, por que não debatê-los em sala de aula?

Independente de crenças e opiniões, é importante nos mantermos abertos a discussões e debates, pois somente quando nos abrimos para o novo, independente de concordarmos ou não, é que nos permitimos crescer e evoluir. É nos abrindo para o novo, que temos a possibilidade de questionar de forma esclarecida, se queremos agir de forma diferente, ou continuar agindo da maneira usual a qual estamos acostumados. Está é a melhor forma de se desenvolver de forma saudável, sabendo que temos a opção de agir de uma forma ou de outra, mas estando conscientes que está forma não é a única possível e de que nem sempre existe uma uma única forma correta.

E você, já parou pra pensar de que forma você faz suas escolhas? Não? Então permita-se!